A Estória dos Vencidos – A Outra Verdade

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A Estória dos Vencidos – A Outra Verdade

in No Exílio – Scenas da Vida dos Conspiradores Monarchicos de Alfredo de Freitas Branco

O objetivo desta reflexão pessoal está assente na premaissa que a Literatura e a História são ciências complementares. A História é a voz dos vencedores e a versão oficial do poder. Por conseguinte, a Literatura ao resgatar as estórias desempenha um papel fundamental ao dar voz aos vencidos e aos que não têm voz.
Na obra aqui apreciada, o escritor vulgarmente utiliza a veste de um narrador autodiegético. Através de quatro contos espelhou a tentativa de restaurar a monarquia constitucional em Portugal. Foi confundido com um “formiga”, um carbonário cuja missão era aniquilar os comandantes das tropas aquarteladas no norte de Espanha. Desempenhou as funções de Ajudante do Capitão Jorge Perestrelo, mais tarde assassinado.
O narrador brinda o leitor com uma exposição baseada em factos reais. Destaca-se o combate de Chaves ocorrido no dia 8 de julho de 1912 e a tentativa de transportar desde a Bélgica 300 toneladas de armamento destinado aos conspiradores monárquicos. Também criticou uma sociedade portuguesa pautada pela falta de carácter, responsável pela ação armada e pelo derramamento de sangue entre os irmãos.
vencidosNo conto “Recordações” viajou mentalmente ao absolutismo do “rei Sol”. No texto “A Cavalgada” destaca os ideais da Revolução Francesa. Este estandarte deve nortear qualquer sociedade. Liberdade de pensamento, religiosa e de expressão. Infelizmente também convivemos com a anti- liberdade, ou seja, o abuso de liberdade de imprensa; Igualdade de oportunidades no acesso ao emprego, aos serviços de saúde e à educação; Fraternidade entre todos os seres humanos. Obviamente, estamos perante a pintura de uma sociedade utópica, pela qual devemos lutar Contudo, sem pretender alcançar a utopia, porque quem afirma que a alcançou navega em mares totalitários.
A insularidade do autor e sua identidade cultural não limitaram os seus horizontes. Finalmente, a História e a Literatura servem para estudarmos o passado, entendermos o presente e para projetarmos o futuro.

Ernesto da Silva Coelho | CLEPUL / UMA

Publicado na Newsletter 22, novembro 2014

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Acerca do Autor

Graça AlvesLicenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.Ver todos os posts por Graça Alves →

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