Abraço da Madeira 07 – De raparigas

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Naquele tempo, era assim: criavam-se as raparigas para ficar em casa, ajudar a mãe, bordar o enxoval e esperar: «Maçã da macieira, não caia, nem apodreça, vai haver alguém que te mereça». Tudo era uma questão de paciência e de alguma sorte, talvez. Com um jeitinho, um dos rapazes embarcados havia de vir à terra e de as pedir em casamento.
As raparigas desse tempo não sabiam nada da vida. Os segredos e os mistérios faziam parte da educação de uma menina da sua casa, honesta. Sabiam que, quando um rapaz olhasse para elas, tinham de baixar os olhos; sabiam que tinham de manter a postura, mesmo nos momentos em que lhes apetecia gritar; sabiam que deviam calar se alguma voz de autoridade – a dos pais ou a do senhor padre – falasse um bocadinho mais alto.


Abraço da Madeira de 27 Mar 2016 – RTP Play – RTP


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Acerca do Autor

Graça AlvesLicenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.Ver todos os posts por Graça Alves →

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