Afinal, não era o El-Dorado

Jorge 2BRamos

 

Tinha quinze anos quando se casou. O noivo regressou para a Venezuela onde vivia desde criança, deixando-a menina casada, sob o olhar dos pais, dos sogros e das gentes da freguesia.
Havia de regressar dois anos depois, para a vir buscar…
Foram no Santa Maria. Custou-lhe a despedida da mãe e das irmãs que ficaram na ilha, mas foi contente… Nunca tinha vista uma coisa assim. Refere-se ao barco: às salas de baile, as piscinas. Sabiam que, nos outros andares havia festas. Eles, porém, em Terceira classe, falavam da vida, das dificuldades, da esperança.

Quando Ermelinda chegou a Caracas ,  ficou “chocada”. A vida era dura, as condições precárias, viviam com outras pessoas, na mesma casa. A Venezuela, afinal, não era o El-Dorado

Naquela altura, porém,  os emigrantes ajudavam-se muito uns aos outros. Chegavam lá sem dinheiro mas havia sempre quem estivesse disposto a ajudar, a dar sociedade num negócio para possibilitar começar a vida. E recomeçar. No duro.
Teve muitos filhos. Muita vontade de regressar. A sua casa era na ilha.
Chama-se Ermelinda. E tem ainda a força da vida. É uma das nossas colaboradoras do Projeto Memórias…

A última viagem. A de regresso.

 

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Acerca do Autor

Alberto VieiraInvestigador-Coordenador na área da História, é licenciado e doutorado em História. Foi diretor do CEHA e coordenador de vários seminários e encontros na âmbito das Ciências Sociais e Humanas. Como insular, é um defensor da Nissologia/Nesologia como “ciência para a investigação e estudo das ilhas”. É o coordenador do projeto “MEMÓRIA”.Ver todos os posts por Alberto Vieira →

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