ARAÚJO, Lídio, 2003, Os Bravos da Picada, O Liberal, Madeira.

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ARAÚJO, Lídio, 2003, Os Bravos da Picada, O Liberal, Madeira.

Um diário de guerra. Ou quase. Porque a escrita do eu – jovem furriel madeirense – se esconde atrás de uma terceira pessoa:

“24/11/73: (…) Poderia ter fugido para lá dos Pirinéus, como muitos rapazes da sua idade, e trabalhar nas obras em França, no Luxemburgo ou na Alemanha. Mas para quê? Este era o seu país. (…) Ali era o lugar onde desejava constituir família e viver sem problemas de consciência po ser considerado refractário. Partiria, com fé e muita esperança de regressar são e salvo.” (p.11)

 

Ao longo de 127 páginas,o leitor acompanha a vida da 2ª Companhia do Batalhão Expedicionário 5014, entre novembro de 1973 e dezembro de 1974, entre Viana do Castelo e Moçambique, entre o Zóbué  e Lisboa [com a Madeira à vista]. São memórias de coragens e de angústias, lembranças de aerogramas e silêncios.

Deixamos-lhe  alguns excertos:

“25/11/73: Sem possibilidade para receber os últimos conselhos dos familiares mais queridos, guardar um abraço amigo, provar o beijo amargo da partida (…) os furriéis Araújo e Medeiros, ambos ilhéus, da Madeira e dos Açores, encontraram acolhimento, vão consolo de despedida, no gesto de solidariedade de uma desconhecida figura feminina(…). (p. 12)

“26/11/73: Pediu uma Coca-Cola. Era o seu primeiro contacto com aquela bebida americana. (…) E as Províncias Africanas não pertenciam à mesma nação? Coisas da governação salazarista” (p. 14)

26/11/73 : “é urgente vencer o primeiro inimigo, o medo” (p.15)

29/11/73 – 1ª CARTA: “os que já estão contaram-me coisas que não sei se devo ou não acreditar, mas tudo se ha-de compor…Adeus até ao meu regresso” (p.18)

4/12/73: “ Rezou à Virgem de Fátima, pediu-lhe protecção para si e para os seus companheiros e prometeu-lhe ir visitá-la no Santuário se conseguir regressar ao convívio dos seus familiares são e salvo” (p.22)

 25/12/73 [militares]: “escravos da incongruência bélica de uma alcateia de lobos atacada por semil demência”  (p. 27)

3/3/74:“Recebemos o pré. A nível dos furrieis, 4.300$00, ca e na Metrópole ficaram 11.700$00 (…) Quase todso os militares optaram por deixar 2/3 do pré na Metrópole, à guarda da família. (p.54)

1/4/74: “A grande maioria dos mainatos é composat por crianças os cinco aos doze anos, subnutroidos, esfarrapados e sem escolaridade que vagueiam pelo quartel, voluntários,sempre prontos a executar qualquer trabalho. Nada mais querem senão comida e protecção.

Uma vez por semana, levam a roupa para ser lavada no rio e trazem-na fresca e passada a ferro, quase sempre pelas suas próprias mãos, recebendo em troca 50$00 mensais. (p. 65)

Epílogo:

“fomos actores e espectadores de um drama que (…) deixou marcas profundas”  (p. 109)

“partimos contrariados. (…) Regressámos de cabeça erguida” (p. 109)

ESPERAMOS AGORA PELO SEU RELATO. Contacte-nos.
 

A war journal. Or a war notebook. It does not really matter the text type because what is important is that this is the story of a young soldier who created a persona to tell about wartime in the former Portuguese Overseas colonies:
24/11/73: (…) I could have tried to escape at the Pyrenees, like some did, and go to work in the construction field in France, Luxemburg or even Germany. But what for? This was my homeland (…) this is where I belonged and where I was sure to build my family in the future. Besides would I be able to live with the idea of being a deserter? So, I went to war and with hope and faith I was sure I was going to come back home safe and sound. (p.11)
In a 127 page book the reader gets to know the everyday life of the 2nd Expedition Company 5014 between November 1897 and December 1974. The story location is centered in Viana do Castelo, Mozambique, Zóbué and Lisbon [with Madeira Island always in sight, though]. These are pages full of courage, anguish, memories and many silences:
25/11/73: With no chance of listening to the advice of family and friends, to give a hug and kissed them goodbye (…) soldiers Araújo and Medeiros, from Madeira and from Azores found themselves welcomed and somehow comforted by an unknown feminine figure …. (p. 12)
26/11/73: He ordered a coke. It was the first time he was going to taste the American drink. (…) Were the Oversea colonies a part of the Portuguese nation? He wondered. Salazar policies he answered. (p.14)
26/11/76: The most important thing is to conquer the worst enemy: our fear. (p. 15)
19/11/73: 1stLetter: the ones who have arrived here first have told me stories I am not sure whether to believe or not, but I am sure everything will turn out right…. Goodbye and see you soon. (p. 18)
4/12/73: He prayed to Our Lady of Fatima and asked for her protection and made a promise to visit the Sanctuary if he ever came back safe and sound. (p.12)
25/12/73 [military]: we were the slaves of an absurd war; a pack of wolves suffering of insanity. (p.27)
3/3/74: We received the salary. The Senior Officers were paid 4.300$00 but here and in the mainland the amount of 11.700$00 was left. (…) Almost all the military chose to leave 2/3 of the salary in the mainland to be sent to their families. (p.54)
1/4/74: most of the servants were young boys, 5 to 12 year old boys, starving, ragged and illiterate who voluntarily were always ready to do any job. They only asked in return some food and protection. Once a week they did the laundry and brought the clothes back already ironed and were paid 50$00 for this service. (p.65)
Epilogue
We have been actors and spectators of a life drama (…) which has caused so many traumas. (p. 109)
Most of us left against our will (…) but we came back proud of ourselves. (p. 109)
This was officer Araújo’s tale. What about yours? Come and share it with us!!!!

 

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Acerca do Autor

GMProfessor do Ensino Básico, é licenciado em Ciências da Educação com uma pós graduação em Estudos Políticos e Sociais. Foi jornalista em vários órgãos de comunicação social regionais e nacionais. É autodidata em artes gráficas e desenho de páginas web.Ver todos os posts por GM →

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