De Canoas varadas no calhau…

Ontem, na praia de São Tiago, o cenário era este: os barcos, as redes, o peixe a secar…
2016-09-25-11-18-10

Ali perto, encostados às canoas, homens de antigamente, daqueles que continuam a olhar o mar, como se o mar fosse a sua casa, o Vicente, por exemplo, que não quer contar a sua história, porque,
– o que é um pobre tem para contar, menina?
Nos registos das memórias, outros homens-mar: o anão, que embarcou, clandestino, para a Venezuela, o Jana que apanhava estrelas na noite do mar, o Mota que fazia bombote, como o pai, o Augusto que sonhava com os barcos que vinham do mundo…
No registo das Memórias, as canoas são exatamente iguais à da fotografia de ontem, na Praia da São Tiago. A voz da Chica traz a memória da infância:
– Minha mãe tinha um tormento. Eu andava sempre no calhau. Subia as rochas, saltava com os pequenos, era igual a eles…

Nos registos das memórias, histórias. De mar, também…

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Acerca do Autor

Graça AlvesLicenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.Ver todos os posts por Graça Alves →

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