De guerras antigas… (ou não)

Regulamento Militar 04

Era assim: uma mistura de vontade e de medo de crescer, de ser homem, de deixar a casa e o aconchego do lar, mesmo quando o trabalho apertava e a fome batia à porta, em tantos momentos da vida.
Na Memória das Gentes, a Guerra. A do Ultramar. A das Áfricas. A do “matar ou morrer”. P. trouxe-nos a sua caderneta militar. Guarda-a, religiosamente, na medida em que o que nela está escrito faz prova: que lutou, que defendeu a Pátria, que transporta, ainda hoje, dentro de si, o som da guerra, as dores da guerra, os vazios da guerra.
Talvez nenhum militar tenha lido as “Disposições Regulamentares” da sua caderneta. Não interessava. O importante é que o tempo passasse. Depressa. Livre de males maiores. E que voltasse. A casa. Homem feito. Homem inteiro.
Esta guerra acabou. Ou talvez não. Os rapazes desse tempo já não são rapazes. Os rapazes desse tempo já não vão para as colónias. Mas os rapazes desse tempo ainda fazem a guerra dentro da cabeça.


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[Disposições Regulamentares constantes da Caderneta Militar (1970)]

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Acerca do Autor

Graça Alves

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.

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