De infâncias

SV Passo

ceha-memorias-foto-arturArtur Rodrigues esteve connosco, no Memórias. Trouxe a história dos seus lugares – São Vicente e São Paulo, a Ilha e o Brasil.
Havemos de contar a sua história mais para a frente. Hoje, fica uma memória, contada na primeira pessoa, trazida escrita no papel, porque

– há coisas que já me esquece: vim ao mundo no dia 10 de maio de 1937, no Sítio do Lanço. Apesar de ser o tempo da guerra, foi uma infância feliz. Fui à escola do professor Horácio, nas Feiteiras… era para aí uns 3 Km a pé. Fazia os meus brinquedos com madeira e canivete e, muitas vezes, me cortei, com cortes profundos: eram carrinhos, camionetas, um carro grande com rodas de madeira. Fiz até um dormitório bem detalhado para minha irmã…

Interessava-nos muito saber da vida no Brasil, o que o fazia ainda ficar naquele país para onde saíra quando se começava a falar de Angola e da necessidade de ir lutar por aquilo que “era nosso”, mas o Senhor Artur quis começar do princípio, das memórias meninas:

– um dia, era pequeno, fui levar vinho para os trabalhadores e como estava muito calor comecei a beber. À noite foram-me procurar. Não tinha chegado com o vinho, nem tinha chegado a casa. Estava debaixo de uma árvore, a dormir. O garrafão estava quase vazio…

Contou mais coisas… A vida guarda muitas memórias à espera de serem contadas.

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Acerca do Autor

Graça AlvesLicenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.Ver todos os posts por Graça Alves →

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