Do Curral para terras de França

Memoria Curral 02

memoria_curral_01Nasceu no Curral das Freiras, em 1932. O pai era muito pobre. Tinham muitos filhos. Escaparam oito. Com a idade de 8 anos, João já começou a ir ao Funchal, a pé, pelas Torrinhas. Recorda-se da primeira vez que foi, dirigiu-se à delegação de turismo, com um cesto de cerejas, era uma oferta. Com 7 anos, já andava na serra a apanhar erva. Depois, ia para o Lombo Grande, para a lenha; Mais tarde, foi com um rapaz para o Norte, levar um bezerrinho. Sempre a pé, até à Boaventura. Fazia isso, por 4 patacas por dia.
Até aos 12 anos, a vida foi assim; pelas serras, a buscar lenha, ou animais, para todos os lados da ilha. Fala do jejum quebrado à hora do almoço – um quarto de pão e meio café. Fala de um almoço que lhe ofereceram nas Ginjas. Comeu batatas com espada, a convite da dona da casa. Uma delícia! . Fala de um bezerro caído num corgo e da dificuldade que foi para o tirar de lá. Fala de abusos dos maiores, porque, sendo pequeno, era ele que fazia o trabalho pesado, empurrava os bezerros.
Fala, com lágrimas nos olhos, de uma véspera de festa em que não havia nada para comer. Lembra-se da mãe chorar e de ele, rapazinho, ter ido bater à porta do senhor padre…
Com 16 anos, foi servir para casa alheia. Dura, a vida de moço…
Já era homem feito quando decidiu partir. E confiou num homem que levava “gajos para a França”… E foi, com 16 contos na algibeira. Clandestino…
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Acerca do Autor

Graça AlvesLicenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.Ver todos os posts por Graça Alves →

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