Fragmentos do Ultramar

Diogo Moçambique Destaque

Durante a Guerra do Ultramar, há envelopes que transportam a vida da Ilha (ou da Metrópole) para as Áfricas ou de lá para este lado do mundo.

As cartas ajudam a distrair quem está no quartel, à espera de que o tempo acabe, permitem esquecer os aborrecimentos de quem vive junto, 24 horas, longe do seu lugar, aliviam o sofrimento da ausência e da solidão, ajudam a não desistir da vida e a não morrer.

Dentro, embrulhadas em linhas escritas, apenas porque é preciso escrever, seguem retratos.

Diogo precisou de mostrar à namorada uma cena do seu quotidiano: o quarto, a cama, o descanso, os eternos livros de cobóis, a namorada efetiva da guerra, a arma, o póster da atriz na parede.

No regresso, trouxe o álbum certo para arquivar aqueles dois anos de lonjura, «quando ao serviço da pátria».

Diogo não é o único militar a trazer um álbum assim. Outros trouxeram-nos um igual, memória de guerras e de fogo, memória do calor de África e do medo. Memórias de um tempo de vida suspenso.

Comentários

comentários

Acerca do Autor

Graça AlvesLicenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.Ver todos os posts por Graça Alves →

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

SRTC | DRC | CEHA | Madeira