Nunca se conhece realmente…até que se experimenta e se vive!

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Nunca se conhece realmente…até que se experimenta e se vive!

Memoria Carnaval 03

Tudo na vida devia ser assim…. não olharmos o que nos rodeia apenas de uma só perspetiva, nem vivermos apenas como simples espetadores, porque a verdadeira alegria está no momento em que sobes “ao palco” e és tu o/a protagonista!!
Foi mesmo esta a atitude que resolvi tomar, numa das grandes fases de mudança da minha vida pessoal. Estava eu em processo de divórcio, naquele momento em que, por todos os motivos e mais alguns, nos apetece apenas ficar em casa, chorar, descansar e fecharmo-nos em nós mesmos e nada mais, quando uma amiga minha me desafiou a assistir aos ensaios para o Carnaval 2008, organizados pela Associação de Animação Geringonça.
Sempre gostei de dançar…sempre gostei, particularmente, de samba e música brasileira.
O Carnaval sempre foi vivido por mim e pela minha família com muita intensidade. Ainda sou do tempo em ia com os meus pais aos famosos “assaltos”, a casa de amigos, para que os anfitriões descobrissem, um a um, quem eram os foliões assaltantes que ali apareciam com comida e bebida, prontos para a festa.
Sempre saí de casa com os meus pais para assistirmos (ainda que de forma pouco participativa) ao desfile carnavalesco noturno que embelezava a baixa da cidade do Funchal, na altura do Entrudo e que na minha cabeça se destinava apenas a uma elite. Sempre achei que havia um certo exibicionismo naquele desfile e com os comentários de algumas pessoas mais velhas acabava por olhar para os foliões pelos olhos dos outros, que tantas vezes estavam ali apenas criticar.
Não é de estranhar, portanto, que tivesse aceitado o convite da minha amiga e fosse com ela espreitar os bastidores do verdadeiro Carnaval Madeirense! E lá fui….


Ela já estava inscrita e participou nos ensaios. Aquele ritmo contagiou-me de imediato e todo o ensaio foi realizado num clima quase familiar, decorado de sorrisos e sempre muito boa disposição (afinal está ali quem quer e gosta!). Voltei para ver mais um e outro e ensaio e…dei comigo a aceitar o convite para participar! Lá me inscrevi na sede da associação e tive de escolher a ala em que gostaria de desfilar. Lembro-me que a minha escolha foi feita de acordo com a ala onde estava a minha amiga e, por isso, não foi difícil! E assim comecei a ir aos ensaios, marcados em dias e horas diferentes, de acordo com cada ala. Não posso esquecer a bonita forma como todos me receberam, quase como uma família! Sempre me senti muito bem, particularmente pelas pessoas que são, ainda hoje, grandes amigas minhas e que na altura faziam parte da direção da Associação.
Os ensaios eram sempre após as 20horas, com a duração de cerca de um hora e meia. Mas à medida que se aproximava a data, para o cortejo alegórico sair à rua, os ensaios eram cada vez mais frequentes e íamos juntando as várias alas. Até que o último ensaio reunia todos, e era feito na rua que contorna o atual edifício da Universidade da Madeira (Tecnopolo). Nessa altura, já quase todas as roupas estavam confecionadas, os sapatos decorados. Apenas os últimos acertos e os carros alegóricos eram deixados para o fim.
O espírito de entreajuda sempre foi fantástico! Desde a parte da costura, confeção de adereços, decoração de sapatos…tudo era feito a um ritmo alucinante, em que os responsáveis não paravam durante dias e dias. Chegando a ficar na sede a trabalhar até de madrugada. Havia sempre comes e bebes e a música era uma constante para que depressa se decorassem os versos da música escolhida para esse ano. De salientar que esta trupe apresenta sempre uma música original, o que a torna ainda mais criativa!
O envolvimento de todos e a convivência foi o que mais me agradou! Para além dos ensaios havia sempre alguém que organizava um jantar, ou um convívio qualquer e isto contribuía, sem dúvida, para que todos (elementos mais antigos e recentes) depressa se conhecessem e criassem uma cumplicidade, que se refletia depois na hora do desfile…onde a alegria, o entusiasmo e a coordenação entre todos era visível.
Lembro-me que, nesse primeiro ano, da minha participação no Geringonça, fiquei admirada principalmente com o número de atuações realizadas por nós, quer nos diferentes cortejos alegóricos (que não se resumem apenas ao Funchal), quer em hotéis e centros comerciais. Ou seja, o Carnaval é vivido assim durante toda a sua época até ao “Enterro do osso”, que encerra toda esta dinâmica de uma forma também muito original. Neste dia, a Associação organiza um jantar em que todos os participantes devem apresentar-se disfarçados de forma original e criativa (não com as roupas do cortejo) e é feita uma votação para eleger alguns de acordo com os critérios propostos para esse ano!


Hoje olho e sinto o Carnaval de outra forma! Pelos meus olhos e de acordo com a experiência fantástica que vivi! Admiro todos os que dedicam tantas horas e dias a projetos como estes que não só mantém viva a tradição, como também levam à rua a alegria, cor, a magia, a fantasia, a música e entusiasmo numa data em que se quer tudo isto!
Participei durante quatro anos seguidos e em cada ano, vivenciei novas experiências! Fui convidada para sair num dos carros alegóricos e participei também noutros eventos em que esta associação participa (Festa da Flor, festa das vindimas…).
O que mudou com a minha participação? Mudei eu! Porque cada vez que nos envolvemos em novos projetos há sempre novas aprendizagens e surgem novas amizades! Novas formas de olhar os outros e deixar que nos olhem! O samba…o ritmo…a música…a alegria…a magia…a alegria…a cor…são conceitos que sempre estiveram presentes em mim e na forma como encaro a vida! Não poderia por isso levá-la apenas a sonhar…tinha de experimentar, tive de sentir e foi fantástico!!

Artigo escrito por: Fátima Susana Sousa

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