Olhares sobre o Palácio…

conferencia_palacioslourencoEstivemos no Palácio de S. Lourenço, com a presença do Senhor Representante da República para a RAM, o Senhor Conselheiro Irineu Barreto, numa ação promovida pelos Serviços da Área Museológica do Palácio.
Fomos falar de um outro olhar sobre o Palácio, o olhar das pessoas comuns, o olhar daqueles que, a partir dos anos 50, vinham a este edifício tratar da vida.
Há dois mundos contados nas memórias. Duas funcionalidades. Apropriamo-nos dos conceitos do geógrafo humanista, Tuan que explica que alguns lugares podem ser símbolos públicos ou “fields of care”, lugares onde se investe determinados valores. O Palácio é um um lugar assim: nos andares de cima, a Residência do Governador e o andar de baixo, onde funcionavam determinados serviços – o Comando, o Movimento Nacional Feminino e a Secretaria do Governo Civil.
Foi deste lugar que fomos falar. Porque foi esse o lugar que ficou guardado na memória das gentes comuns.
Levamos a voz do Paulo Camacho, a voz militar do “Adeus até o meu regresso” e do olhar sobre os pais que vinham tratar dos funerais dos filhos mortos na Guerra colonial; levamos a voz das madrinhas de guerra que iam ao Movimento buscar os aerogramas e deixar as encomendas para os seus rapazes no Ultramar; levamos a voz da D. Rita Pestana que tratava, no Governo Civil, dos passaportes de quem (não) queria embarcar; levamos o silêncio de gente sentada à espera do senhor governador (neste caso, o comandante João Inocêncio Camacho de Freitas), para que este as ouvisse, as ajudasse, arranjasse um emprego para um filho,…
Neste tempo da História – e falamos da 2ª metade do século XX – os andares baixos do Palácio são lugares de memórias difíceis, de lágrimas engolidas, de corações acelerados, de chapéus enrolados nas mãos, de angústias.
A equipa do Memória das Gentes agradece o convite e a participação ativa do público que contou histórias, partilhou memórias e passou a fazer parte da memória do Projeto Memórias das Gentes que fazem a História.

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Acerca do Autor

Graça Alves

Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.

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