Porque é 4 de Abril

Revolta Madeira 1931 Comicio No Funchal De Apoio A Revolta

Revolta da Madeira, também referida como Revolta das Ilhas ou Revolta dos Deportados, foi um levantamento militar desencadeado com a finalidade de derrubar o regime do governo da Ditadura Nacional (1926-1933) que ocorreu na ilha da Madeira, iniciando-se na madrugada de 4 de abril de 1931.
(Diz a Wikipédia)
Podia começar assim a nossa História. Não começa. Começa há muito atrás com um “Meu amor querido” cruzado entre Angra do Heroísmo e Lisboa. Trata-se de um diário escrito dos dois lados do mar, entre 1924 e 1933.
O ano de 1931 é particularmente angustiante: a Madeira e os Açores vivem dias difíceis. Cândido, em Lisboa, espera notícias: a noiva vive em Angra e o rapaz, na Faculdade, tem o coração preso àquele lugar:

Carta de Maria

MARIA:

“Temos a cidade em revolução. Os deportados têm a tropa por eles e mandam agora cá (…) Os oficiais que não se entregaram estão em casa pois, apesar disto, não prenderam ninguém. (…) Nada disto tem importância se em Lisboa não houver nada. (…) Será a exemplo da Madeira que eles se resolveram a tentar a sorte sem que em Lisboa haja nada?”

(8/4/931)

Diário de Cândido

CÂNDIDO:

(…) estava a jantar quando recebi um telegrama. (…) Dizia só isto: “Notícias” (…) vi que devia relacionar-se com a revolta da Madeira que, naturalmente, aí julgaram que se estendera até Lisboa. Por enquanto, graças a Deus nada há e oxalá nada haja. Mas correu com insistência que aí também tinha havido um pronunciamento da guarnição. Por isso não estou nada sossegado pois tenho sempre receio esses deportados que aí estão não façam algum desacato a meu pai. (…) Só peço a Deus que tudo acalme e não haja sangue e os nossos não sofram nenhum dissabor.

O Leal lá está preso na Madeira  às ordens da Junta revolucionária e, segundo dizem foi maltratado. Hoje embarcam tropas que partirão amanhã de manhã com navios de guerra e aviões. Oxalá isto não vá dar uma grande tragédia. O comandante das tropas com poderes de Alto Comissário é o Fernando Borges. Tudo isto, meu amor, prova que que nós viemos a este mundo em uma época em que se vive em constante sobressalto e sem nunca haver certeza do que será o dia de amanhã.

(6/4/931)

E há mais… Neste acervo que nos chegou às mãos, está guardado o tempo:  o dos Açores, o da Madeira, o de Lisboa…
O mês de abril de 1931 está cheio de referências: de guarnições, de peças de artilharia, de navios de guerra, de deportados, de boatos…
Um outro olhar sobre a História e o quotidiano. Na primeira pessoa.
Havemos de desenvolver esta história. A 16 de maio, falaremos deste acervo. A 16 de maio, teremos aqui os filhos destes noivos que se casaram e foram felizes. A 16 de maio, contamos consigo!

Guardar

Comentários

comentários

Acerca do Autor

Graça AlvesLicenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.Ver todos os posts por Graça Alves →

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

SRTC | DRC | CEHA | Madeira