Regressos… diferentes…

maosRegressam com uma mala de sonhos para contar. E de inquietações. Talvez não contem a verdade da vida – nem sempre a realidade das coisas e dos países de onde vêm merecem uma narrativa. Talvez não valha a pena ensombrar as férias com histórias de dificuldades e de inseguranças. Talvez não valha a pena.
Regressam com os olhos rasos de mar e as raízes do coração à flor da pele. Regressam porque é preciso regressar.
Desfilam, depois, a distância, orgulhosos da coragem de terem ido. Talvez ainda paguem uma rodada no arraial. Talvez ainda deixem escapar uma palavra desconhecida que comprove o seu saber feito de mundo. Talvez ainda tentem mostrar que, no longe que fica atrás do mar, há coisas muito outras, muito diferentes, coisas.
Hoje, porém, há regressos que são diferentes. Sem bilhete de ida. Sem a alegria do que tempo em que se tinha pendente o bilhete de ida. Apesar de tudo.
A verdade é que há lugares no mundo que já não são o seu lugar. A verdade é que este talvez já não seja o seu lugar.

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Acerca do Autor

Graça AlvesLicenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.Ver todos os posts por Graça Alves →

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