Revista “Saudade”

Revista “Saudade” foi editada entre outubro de 1989 e 1999
Manuel Gama

A primeira edição da revista “SAUDADE” foi publicada em Caracas em outubro de 1989 e viu a sua publicação até aos dias em que, em dezembro de 1999, regressámos ao nosso torrão natal, na esperança de matar definitivamente todas essas “saudades” de cerca de trinta anos de ausência.
A escolha do seu nome foi resultado dum consenso familiar. A publicação foi fruto da disponibilidade dos seus mentores e fundadores.
No editorial dessa primeira edição, definimos um caminho a seguir: “Saudade aparece como a reposta positiva e programática às necessidades e carências da nossa comunidade em matéria de comunicação social, dentro da linha que sempre nos tem parecido ser a mais correcta e significativa”. A experiência adquirida como Director do semanário “Voz de Portugal” durante cerca de quinze anos, serviu de ponto de partida para a “Saudade”.
Os conteúdos dessa primeira edição, depois continuados, falam por si mesmos sobre os objetivos a atingir.
Assim “Os portugueses na Venezuela”, foi secção que procurou investigar a presença dos portugueses na pequena “Venécia”, desde o descobrimento por Cristóvão Colombo até aos nossos dias, conseguindo captar o interesse e o apreço dos leitores.
Em “Destaque” apresentámos a história recente da fundação dos Centros Sociais de expressão portuguesa, incluindo os de nomenclatura e expressão madeirense, em todo o território nacional, a sua ação social, cultural, desportiva, recreativa, festiva, convivencial e até religiosa. Os Centros sociais desempenhavam-se como guarda-jóias da idiossincrasia portuguesa e madeirense e, ao mesmo tempo, como veículo de transmissão e formação para as novas gerações.
No “quem é quem” deixámos para a posteridade as pessoas, os indivíduos que foram sendo os autores dessa vivência social, cultural e também económica nas comunidades.
“Por terras de Portugal”, e ainda no “De lá para ca”, fizemos o leitor “matar” as saudades da sua terra natal, através da publicação das Festas, dos eventos sociais, desportivos, culturais e políticos do seu país ou da sua região, sobretudo os mais relacionados com a comunidade emigrante.
No “aqui e agora” o leitor encontrava resenhas e reportagens de acontecimentos relacionados com a vida das comunidades, aniversários, festas de quinze anos ou de bodas, de entidades oficiais, e sobretudo de inauguração de novas empresas, propriedade de membros destacadas da comunidade.
Nunca faltava a secção do “desporto”, dedicada sobretudo aos eventos desportivos da mesma comunidade.
Nas “artes e letras” apareceram autores lusos, com exposições, premiações, poesias e pinturas, nomeadamente a composição poética e por vezes humorística do nosso amigo Tiago Batista, no seu “Cantinho da Saudade”.
Podemos afirmar que a revista “Saudade” era um retrato actualizado, um espelho cristalino da mesma sociedade luso-venezuelana.
Para o efeito, percorreu todo o território nacional da Venezuela, investigando, dando à estampa, a história, a fundação dos Centros de Sociais, os seus mentores e fundadores, a sua vida social, cultural, desportiva, económica e empresarial, tornando-se bastante estimada e apreciada pelas comunidades portuguesas, na qual se integra a madeirense.
Em contra partida, recebeu o apoio total das mesmas comunidades. Em cada cidade estabeleceu-se um responsável, uma espécie de correspondente, um quase voluntário, que cooperava com a direção, inclusive no comercial. A este propósito, cabe realçar que todas as comunidades entenderam ser o seu apoio necessário à manutenção desta revista, que, em geral, lhes era dedicada e as satisfazia completamente.
O nosso poeta popular, Numa espécie de simbiose, Tiago Batista, definiu a “Saudade” nos seguintes termos, na primeira edição da revista:

Saudade é uma mágoa
Por uma pessoa falecida
Que viveu junto de nós
Durante toda a sua vida.

Saudade é uma lembrança
Do presente e do passado
De muitas coisas vividas
Com alegria e agrado.

Saudade é viver distante
Da nossa terra natal
E recordá-la a cada instante
Com amor especial.

Saudade é recordar
A nossa casa, a nossa rua,
O nosso primeiro amor,
A nossa primeira lua.

Saudade é escrever uma carta
A uma pessoa querida
E mandar ou receber saudades
De um amigo ou uma amiga.

Saudade é ver filmes e novelas
Românticos como uma canção
Para sentir tantas coisas belas
Dentro do nosso coração.

Saudade é imaginar
É sonhar e são desejos
É encontrar e saudar
É dar abraços e beijos.

“Saudade é esta Revista
Que acaba de nascer
Para matar sempre saudades
A toda a pessoa que a ler”

Texto de Manuel Gama

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Acerca do Autor

Graça AlvesLicenciada em Línguas e Literaturas Modernas, é professora do ensino Secundário e tem participado em diversos projetos literários. Está destacada no Centro de Estudos de História do Atlântico, onde tem desenvolvido trabalhos ligados à literatura e às histórias de vida.Ver todos os posts por Graça Alves →

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